terça-feira, 29 de outubro de 2013

Legislação bíblica e os ensinamentos da História - Parte 2

TEOLOGIA DE MOISÉS - A simplicidade destes estudos tem finalidade. Quero alcançar leitores comuns e iniciantes da Bíblia Sagrada. Bem, Moisés tendo vivido na casa do faraó, preparado para suceder o rei do Egito, aprofundou-se em todas as ciências e sistemas religiosos também dos países ao redor do seu país. O que Moisés viu no sistema religioso dos povos constituídos e impérios estabelecidos ao redor do Egito?
1) Eles criavam seus próprios deuses e davam sua representação através de materiais visíveis e preciosos, dando-lhes templos e rituais, conforme ditavam suas mentes;
2) Os deuses destes povos possuíam representação humana, de animais conhecidos na época ou uma mistura destes; Apenas um exemplo, os deuses do Egito para os quais as dez pragas foram direcionadas. Eu deixo que os leitores e estudiosos procurem os livros didáticos de História Antiga para a catalogação dos deuses principais e mais conhecidos;
3) Estabeleceram o tipo de adoração que fariam aos seus próprios deuses, seus sacerdotes elaboraram a forma de cultuar tais divindades. Os cultos destes deuses deveriam ser com muita festa, bailes;
4) Como parte do "sacrifício" os povos ao redor do Egito, os próprios deuses do Egito, exigiam cultos com práticas sexuais (fertilidade) e sacrifícios de animais e de seres humanos, especialmente crianças, como na Assíria e na Caldéia.

Como Moisés elaborou a teologia dos hebreus para tirá-los do Egito?
1. Disse aos hebreus que havia um "Deus" que não fora criado pelos homens, pelo contrário, fora o Criador dos homens. Este Deus tinha um nome próprio que Ele próprio escolhera, consequentemente, estranho às nominações dadas pelos povos vizinhos, cujo costume os hebreus jamais deveriam ousar imitar. Êxodo 3.14.

2. Este Deus não era múltiplo. Era único, uma única Pessoa. Um Deus que não ficaria imóvel num altar físico, mas que falava, pensava, portava sentimentos, amava, odiava, se vingava e amava os que lhe eram fiéis e praticavam boas obras. Era o monoteísmo à moda dos hebreus. Este Deus já vinha construindo sua linhagem ao longo da História, escolhendo homens e líderes tribais, sempre ligados às origens do povo hebreu, como Adão, Seth, Noé, Abraão e finalmente, seu profeta maior, que codificou as leis e revelações desse Deus, Moisés.
Todo o deus que viesse de outros povos seria falso, porque coube aos hebreus preservar e portar a fé e o testemunho desse único Deus que era Eterno, Criador, Santo, Pessoal e Espiritual ("Deus é espírito, João 4.24). Moisés à frente estabeleceria nos seus primeiros cinco livros as diferenciações deste Deus com os deuses variados dos outros povos.

3. Diferente do demais deuses, considerados falsos e não deuses de verdade, o Deus dos hebreus exigia extremo rigor e ritualidade nos seus cultos. Nenhuma nota poderia soar fora da harmonia no culto deste Deus, devendo haver o princípio do temor, do medo, da ordem e da decência (1 Coríntios 14.33, 34), na prática, sem algazarras, sem musicas promíscuas, sem práticas sexuais. Vejam as regras para as celebrações nos templos, principalmente, como escreve Esdras e Neemias.

4. Os deuses dos povos podiam ser adorados em qualquer lugar. Nos cultos das regiões próximas, além do culto da divindade local (o Deus dos hebreus era universal), podiam venerar e consultar os seus mortos, recebendo deles orientações espirituais. Moisés, prevendo sua autoridade abalada por qualquer uma destas possíveis revelações, determina que o culto só deva ser feito com a presença do sumo-sacerdote e vetando as comunicações com os mortos.

Vale uma nota importante. O Cristianismo em seu contato com a filosofia grega e a cultura romana, não manteve o monoteísmo hebreu. Casou-o com os deuses destas culturas gerando o trinitarianismo, sinônimo de ortodoxia em muitos cantos.

[Este estudo segue aos poucos para não ser enfadonho. Mas está aberto à críticas e a sugestões].






segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Legislação bíblica e os ensinamentos da História - 1ª parte

A maioria dos mandamentos e tradições do Antigo Testamento tem explicações históricas. Estas lançam luzes e melhoram a compreensão da finitude de determinadas leis e ordenanças ou de costumes morais apropriados a situação e a época.
Quando Moisés reúne o povo judeu em torno de uma liderança quando as famílias ainda moravam no Edito, a humanidade só conhecia alguns impérios, Assírio (não confundir com Síria), Babilônico, Caldeu e Egípcio. Os judeus e os cananeus (habitantes primitivos de Canaã, chamada na Bíblia de terra prometida) eram famílias que estavam reunidas em torno de lideranças tribais, não eram nações constituídas, não possuíam território definido por fronteiras. Eram nômades (sem lugar fixo).
Por necessidade de sobrevivência das famílias, o grupo foi parar na África (Egito dos faraós) e como a política de governo dos diferentes faraós, como de nossos atuais governantes, diferiam, os hebreus enfrentaram momentos bons e momentos ruins (como nos dias que José foi ministro do faraó ou quando Moisés retirou o povo pelo deserto).
Moisés não foi um líder qualquer, mero profeta, juiz tribal comum e nem mesmo a espiritualidade foi sua única e mais importante qualidade:
1. Foi criado na corte, isto é, no Palácio do Faraó, com as lideranças políticas, científicas e religiosas do Egito;
2. O Egito era a potência cultural, educacional, militar e econômica da época. O país era um grande centro de resistência negra no mundo conhecido e atacado pelos povos arianos ao norte da África. No Egito, Moisés recebeu a melhor educação, foi preparado para ser o futuro rei do Egito, conviveu com cientistas, matemáticos, físicos, astrólogos, astrônomos, arquitetos, sacerdotes, escravos diversos e estrategistas de guerra.
Moisés usou todos esses conhecimentos para a retirada dos hebreus do Egito, inclusive os religiosos. Isso fica evidente na própria leitura do Antigo Testamento.

MOISÉS PREPARA A MENTALIDADE DOS HEBREUS
Quando a Bíblia, que é um documento histórico, afirma que Moisés era homem fraco na arte de comunicar, está se referindo ao problema que teve que enfrentar para construir um discurso que unisse uma população tão dispersa, tão sem unidade, sem destino. Como Moisés enfrenta esta dificuldade?
Ele, pesquisando, selecionando e reunindo as tradições de povos vizinhos do Egito, construiu uma história sagrada exclusiva dos hebreus. Como registrou essa história? Ele vai elaborando uma história da humanidade, do mundo, da criação, que estabelece, num andar para trás, um elo genealógico que leva a criação dos judeus ao próprio Deus. Assim, os judeus vieram de Jacób, que veio de Abraham, que veio de Sete, que veio de Adão e Eva, criados por Deus. Por isso, os judeus não deveriam ter medo de perder a guerra, ousar a buscar a liberdade, porque tendo sua origem divina, não haveria quem os vencesse.
O monoteísmo, a crença que existe um único deus, já era conhecida pelos egípcios e alguns povos. Moisés então, faz uma inovação. Tendo um único deus ou adorando várias divindades, os povos ao redor do Egito, estes povos construíam seus próprios deuses, fundindo-os com ouro ou estanho. Moisés, faz uma teologia na qual, o povo hebreu adora e é testemunha de um Deus que não pode ser feito pelas mãos humanas, não tem imagem terrena nem forma humana e é severo com seus inimigos. É desse monoteísmo que também, os cristãos se fizeram herdeiros.

sábado, 19 de outubro de 2013

Escola Bíblica - Os dons espirituais em 1 Coríntios 12 - 14

Apontamentos para escolas bíblicas

1. Qualquer assunto, tema bíblico, ensinamento deve levar em conta o tipo de cristão que frequenta a comunidade local. O Novo Testamento apresenta dois tipos de cristãos:
- IGNORANTES - são aqueles que não se desenvolveram intelectualmente na fé, foram para as igrejas depois da conversão e jamais se dedicaram a ler e estudar a Bíblia, vão para os cultos como tradição e voltam para suas casas do mesmo jeito. Como diz o autor de Hebreus "deviam ser mestres pelo tempo decorrido" (Hebreus 5.12), sabem o basiquinho da fé cristã ou de suas igrejas. Sãos os crentes infantis e carnais (Hebreus 5.13). Muitos, inclusive, não conseguem entender e se confundem com assuntos mais profundos da fé (Hebreus 5.14). Paulo já tinha trabalhado esse assunto em 1 Coríntios 3, vale a pena você retomar aquela passagem neste momento e neste estudo.
A palavra de Deus é clara - "não quero que sejais ignorantes" - 1 Coríntios 12.1
- Ser ignorante é uma escolha livre de cada cristão. Permanece ignorante quem deseja.
- Como não continuar ignorante? 1) Paulo escreve "sabeis que..." (1 Coríntios 12.2), "vos faço compreender..." (1 Coríntios 12.3).
- Saber, compreender é usar a razão, a inteligência, a mente, para exercitar melhores conhecimentos. Romanos 12.1-4.
- Um cristão considera equivocada a onda anti-intelectualista de algumas igrejas que desprezam os estudos aprofundados, sistemáticos das Escrituras. É falsa e perigosa a atitude de maioria dos crentes em não estudar, tanto quanto se contentar com as migalhas espirituais fornecidas nos púlpitos fracos das denominações ou na substituição do ensino profundo da Bíblia pelo milagrismo.

- APERFEIÇOADOS - Paulo fala melhor deles em Efésios 4.11-16. Evidentemente, os cristãos aperfeiçoados não são ignorantes, estudam profunda e permanentemente a Bíblia com inteligência. Tem dúvidas, buscam respostas, são pesquisadores e correm atrás de todo recurso para melhor aprenderem a Palavra de Deus em todos os aspectos.
São crentes que se DESEMPENHAM, EDIFICAM-SE, procuram o PLENO CONHECIMENTO, estautura PLENA, ESTÁVEIS NA FÉ, EDIFICADOS.

2. A prática dos dons espirituais nas comunidades cristãs: 1 Coríntios 12.4-11,28-30

- Os dons espirituais mencionados nas cartas (1 Coríntios, Romanos, Efésios) se referem aos dias do apóstolo. Não devem os cristãos se considerarem fracassados por não falarem em outras línguas, não profetizarem ou não realizarem milagres. A maioria daqueles dons cessaram com o amadurecimento do cristianismo ao longo da história da Igreja Cristã, da mesma forma como ao chegarmos à idade adulta não precisamos mais de leite, sopinha e mingau. Os dons espirituais em nossos dias são outros e devemos estar atentos a descobrí-los quanto a exercer aquilo que mais nossa comunidade necessita.

- Deus deseja que os crentes sejam ativos, tenham personalidade própria, disposição para participar do próprio crescimento e dos irmãos, independentes espiritual e emocionalmente. A passividade é uma obra diabólica, carnal e humana.

- Todo cristão possue dom espiritual. Resta descobrir e trabalhar seu aperfeiçoamento. Exercê-los na pluralidade, diversidade para a unidade. O exercício dos dons devem promover a COOPERAÇÃO.

- Os dons são temporários (1 Coríntios 13.8-13) e não são evidências de vida cristã agradável e saudável a Deus.

3. Critérios para exercitar os dons - 1 Coríntios 14.1-22

- Esse dom EDIFICA a comunidade?
- Amadurece o meu conhecimento intelectual e minha fé? 1 Coríntios 14.6,11,12
- Possibilita ensino com clareza, compreensão por parte dos que ouvem?
- Não dá sinal trocado para a comunidade? 1 Coríntios 14.7
- É o dom que a comunidade local precisa? 1 Coríntios 14.21-22

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Biblioteca Pastoral

BIBLIAS PARA CONSULTAR


Minha biblioteca pessoal



Biblia Sagrada:  traducção brazileira. João Ferreira de Almeida/Sociedades Bíblicas Unidas, 1947.

Biblia Sagrada: revista e corrigida. João Ferreira de Almeida/Sociedades Bíblicas Unidas, 1945.

Biblia Sagrada: a biblia de jerusalém. Editora Paulus.

Biblia Sagrada: tradução matos soares. Edições Paulinas.

Biblia Sagrada: linguagem de hoje. SBB

Bíblia Sagrada: anotada de Scofield. Imprensa Batista Regular.

Bíblia Sagrada: de acordo com os melhores textos em hebraico e grego. Imprensa Bíblica Brasileira

Bíblia Sagrada: revista e atualizada. SBB

Bíblia Sagrada: edição pastoral. Editora Paulus.

Bíblia Sagrada: edição pastoral-catequética. Editora Ave Maria.

Bíblia Sagrada: revista e corrigida. Imprensa Bíblica Brasileira.





domingo, 14 de julho de 2013

Estudos para Escola Dominical: 1ª Carta de Paulo aos Coríntios - capítulo 9 (Parte 1)

Capítulo 9 - A autoridade de Paulo nas primeiras igrejas cristãs (48 - 100 d.C.)

Estas notas são sugestões, roteiros. Um bom professor de Bíblia, um cristão que deseja crescer na fé (Hebreus 5:12-14) não dispensa a pesquisa em bons livros e comentários abalizados.
Mas estou a disposição para receber sugestões, críticas, perguntas, respostas sobre este assunto, a fim de melhorar os instrumentos de trabalho do povo cristão e religioso (acir.hcs@hotmail.com).

Para quem gosta de estudar o Cristianismo, o pensamento de seu fundador - Paulo de Tarso.
Voce se diz ou se afirma cristão, então precisa conhecer o que Paulo ensina sobre a fé cristã.

Estamos no ano 50-54 depois de Cristo. A data da carta é controversa. Os Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João) ainda não tinham sido escritas. Só existia o Antigo Testamento, a Carta de Tiago e a de Romanos. Talvez a de Gálatas.  

A Primeira Carta de Paulo à Igreja em Corinto (lembre-se de que as igrejas primitivas não possuiam os nomes que, hoje, utilizam as igrejas que se denominam cristãs. As igrejas eram nomeadas pelo local em que se encontravam. As cartas pastorais de Paulo dão a entender que as igrejas, na época do Novo Testamento correspondiam a um modelo administrativo, mais ou menos, mescla de congregacionalismo batista e presbiterianismo, isto é, não respondiam a uma autoridade central, como querem alguns. Paulo aplica alguns corretivos na comunidade em Corinto, porque era seu fundador e se dirige a todos os membros e não um suposto clero local.

A família de Cloé, que participava da Igreja em Corinto, foram visitar Paulo e lhe contaram das brigas, disputas, crenças e descrenças, que sorropiavam a comunidade local. Entre estas, estavam as atitudes de desprezo que um ou dois grupos na Igreja dedicavam ao apóstolo Paulo. Estes recusavam a autoridade de Paulo como apóstolo. Não o consideravam igual a Pedro e aos demais do grupo dos Doze (Gálatas 1:1; 2:1-9). Paulo, para eles, não era apóstolo, não merecia sustento missionário, não tinha autoridade para disciplinar a igreja e devia ser um valentão à distância.

No capítulo 9 ele dedica-se a responder as questões com sua pessoa. Vai tratar do assunto, de novo, em sua segunda carta aos Coríntios.


1. Os crentes de Corinto e as resistências pessoais ao apóstolo Paulo - 9:1-3
A) Para os líderes de Corinto, apóstolo era aquele que pertencera ao grupo dos Doze, isto é, que conheceram Jesus Cristo em carne e osso, humanamente. O que é apóstolo? Os corintios estavam certos? Algumas denominações modernas adotam este conceito. Você já pesquisou as diversas passagens bíblicas a respeito e qual a conclusão que chegou? - Lucas 9:13;


B) O que é ser apóstolo? O que significa esta palavra no idioma grego, aquele em que Paulo escreveu a sua primeira epístola aos Corintios? Esta palavra foi ou não utilizada para designar outros missionários, ainda nos dias dos apóstolos? Atos 11:22

C) Para a comunidade católica os apóstolos foram os discípulos diretos de Jesus Cristo. Não temos apóstolos modernos, no sentido rigoroso da palavra. No entanto, os apóstolos deixaram sucessores, os bispo e seus auxiliares, os padres;

D) Na década dos anos de 1990, surgiram no Brasil o famoso movimento apostólico, com pastores se auto-denominando de "apóstolos". Existem apóstolos modernos? Será correto chamá-los de apóstolos? Já assistiu alguns deles na televisão?.

Em Efésios 4:11-17 Paulo menciona os oficiais das congregações. Ele menciona, apóstolos (se referindo aos fundadores da igreja primitiva), profetas (que davam revelações no início do Cristianismo, enquanto não haviam normas escritas), evangelistas, pastores e mestres.
No decorrer dos séculos, o termo bispo ficou mais forte. Principalmente, depois da influência do Império Romano sobre a cristandade.
A Reforma de 1517 procurou resgatar o ofício de pastor.
Por que os títulos de pastores não foram suficientes, nossos líderes precisam de maiores designações, chamando a atenção para sua autoridade e pessoa, mais do que do Senhor.

E) Outros apóstolos na Bíblia;

 F) Por que Paulo era um apóstolo?
Ele tinha visto Cristo pessoalmente, nas aparições - Atos 9:1-16; Gálatas 1:12
Ele tinha fundado a Igreja em Corínto;

Debater na Escola Dominical ou nas pregações


1. Como se comportam nossos líderes perante suas comunidades? Humildade, serviço, autoridade?
2. Qual o limite entre autoridade pastoral e humildade, reconhecimento dos erros, democracia nas igrejas?
3. Como anda o respeito com os pastores nas comunidades? Eles fazem por merecer? Responsabilidade das igrejas com seus pastores em preservar sua moral
4. Como proceder quando os pastores erram?
5. Como está a sua memória em relação ao fundadores da sua igreja local? Dos seus pais na fé?
6. Os pastores devem trabalhar fora ou receber sustento de suas igrejas? Quanto deve receber um pastor como salário?
7. Que dizer dos pastores empresários dos nossos dias? Qual o perigo dos pastores de bico?
Consultar:
Tempos do Novo Testamento, Merryl Tenney, CPAD
Comentário Bíblico: I e II Coríntios, Stanley Horton, CPAD
Comentário Bíblico NT Atos ao Apocalipse - Mathew Henry, CPAD
Exposição Bíblica - Modulo 3 - Donald Turner, EBR
Novo Testamento interpretado versículo por versículo, Champlin, vol. 4, Hagnos
Manual Bíblico, Halley, Vida Nova

segunda-feira, 18 de março de 2013

Marco Feliciano: racismo e teologia bíblica - Parte 1




Abordarei a controvérsia que envolve o empresário Marco Feliciano, que se intitula pastor e exerce funções religiosas na Igreja Evangélica Assembléia de Deus no interior de São Paulo. Desta vez, proponho uma discussão teológica e deixo o mérito da questão política e do confronto com a sociedade brasileira.

Para compreender as razões das afirmações do Marco Feliciano a respeito da controvertida maldição divina sobre o continente africano é necessário adentrar ao terreno da imaginação e da convicção religiosa, isto é, enxergar os fatos como um teólogo protestante dessa linha de interpretação enxerga. Perceber uma doutrina como seus proponentes e seguidores a vêem. As análises feitas fora do universo teológico podem incorrer em outras limitações, perigosas e improdutivas também para os opositores.

Se quero entender o que fundamenta e formular a crítica ao ponto de vista do racismo fundamentalista, se podemos chamar assim, idéias essas, que ganham maior visibilidade pela escrita descuidada de Marco Feliciano nas redes sociais, precisamos antes de tudo, compreender dois pontos fundamentais. Primeiro, viajar para a história do movimento fundamentalista estadunidense dos anos 1900. O surgimento e sistematização do fundamentalismo. Sem esse contexto, tudo o que se dirá das idéias de Marco Feliciano padecerão de sentido. Questões que aparentarão luta por direitos nem por isso deixarão de ser preconceituosas. Julga-se uma idéia sem entender sua história. É provável que o próprio Feliciano esteja desprezando a história de suas idéias e por isso pagando um preço elevado. Segundo, a hermenêutica bíblica, isto é, as teorias possíveis da interpretação bíblica, especialmente a que está adotada por Marco Feliciano e uma infinidade de pastores evangélicos brasileiros, que dado o pequeno valor e espaço a ser ocupado num púlpito, não se tornam visíveis. Digamos, é um assunto tão sem importância para a estrutura teológica e homilética da religião cristã, que não contém substância suficiente para ser explorada numa pregação. Vamos então, para a análise destes pontos.

Até o início do século XX, as igrejas evangélicas do mundo inteiro foram varridas por uma onda de crítica aos textos bíblicos, ao conteúdo da mensagem cristã, a negação da existência de personagens e idéias até então, “cridos” sem qualquer questionamento racional pelos cristãos protestantes. Trocando em miúdos, para o leitor mais comum, o movimento modernista teológico, liderado por teólogos protestantes de alto coturno, passaram a negar a existência de uma pessoa física e real chamado Jesus Cristo. Passaram a afirmar que a Bíblia era um livro de fé e não de ciência, portanto, abrigando em suas páginas erros históricos, erros científicos e teorias morais esquisitas. Os que desejarem uma leitura mais primorosa das conclusões dos modernistas, encontrarão no livro “O caos das seitas” de Van Baalen. Para os modernistas, a Bíblia mencionava reis que nunca existiram ou que não reinaram. Um caso para curiosidade seria o rei Nabopolassar, mencionado no livro de Daniel, para o qual não existiriam provas históricas, ou a Bíblia chamando Ciro de rei dos persas e medos. Além disso, os modernistas negavam os milagres, a existência do dilúvio e dando um sentido alegórico as passagens do Velho Testamento, tipo, o escritor bíblico queria transmitir uma lição. Para isto inventava uma história como se ela fosse real.

Em 1905 um grupo de teólogos de diversas igrejas, especialmente, batistas, presbiterianas e metodistas, sairam para o confronto com estas teorias, que já haviam invadido seminários, faculdades e igrejas tradicionais. Igualmente, em seu conjunto, incluiam grandes nomes da teologia mundial, historiadores eclesiásticos, conhecedores de idiomas bíblicos. Nascia o movimento fundamentalista “americano” (prefiro: estadunidense). Os fundamentalistas defenderam o método literal de interpretação bíblica, que hoje, muitos tem dificuldade de entender, embora se declarem fundamentalistas. Menciono como exemplo desta incompreensão o empresário Silas Malafaia, que também se considera pastor evangélico das Assembléias de Deus. O que é o método literal de hermenêutica bíblica? Significa, conforme, Walword e Pentecost, que cada passagem bíblica deve ser interpretada em seu sentido histórico, literal, gramatical, cultural, a menos que o próprio texto indique o contrário. Mesmo assim, qualquer idéia secundária de um texto, ampara-se na idéia primária do literalismo. De fato, é assim em qualquer idioma. Por exemplo, quando Jesus diz “Eu sou a porta”, é evidente que Ele não é uma porta de madeira, ferro, como temos em casas. Mas a idéia de porta literal, que dá entrada e saída, permanece, ainda que no plano espiritual.

Contrariando a interpretação fundamentalista, os modernistas, entendem que a Bíblia é um livro de alegorias. O que está escrito, não necessariamente, aconteceu historicamente. As palavras podem ter outro sentido, apenas uma lição para ensinar. Por exemplo, se a Bíblia diz que Abraão quase sacrificou seu filho Isaque, isso pode não ter acontecido. Foi um registro para ensinar a importância de levar a fé aos extremos. Se a Bíblia diz que Pedro andou sobre as águas, ou que o Mar Vermelho se abriu, isso pode ser algum fenômeno histórico natural ou uma ilusão de ótica, que a parapsicologia bem explicaria. Os modernistas não se preocupam com a veracidade do conteúdo bíblico, mas com o que ele pode ensinar. Além de admitir que no texto sagrado existem erros gramaticais, interpolações de tradutores, perversões, e concepções humanas dos próprios autores do texto sagrado, incluindo seus valores, seus preconceitos e seus conceitos.

O Marco Feliciano fez a opção pelo primeiro método. O problema que se pode apontar é que ele simplesmente aplica o método, mecanicamente em suas análises. Qualquer literalista com melhor formação cultural seria mais criterioso, mais abrangente e crítico com as exposições. Mas entender a literalidade de interpretação bíblica é passo necessário para concordar ou discordar do Feliciano. É necessário sermos corretos e justos. Ele não está sozinho nesse pensamento. Na maioria de nossas igrejas espalhadas pelo Brasil essa teologia está escondida atrás do púlpito. Marco Feliciano teve a imprudência ou a coragem de afirmar sua crença nela. Covardemente, está apanhando sozinho e os teólogos de alto gabarito que a esposam, não estão saindo em sua defesa. Em meu próximo comentário, retomo a questão, aplicando-a a passagem de Gênesis sobre o racismo e maldição de Cam.


segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Cristãos ouro ou Cristãos feno?


ESCOLA BÍBLICA ECLESIÁSTICA



6 tipos de cristãos dentro das igrejas



Lamentavelmente, as comunidades cristãs deixaram de ler e estudar a Bíblia, livro que consideram sagrado apenas de boca e com isso perdem a oportunidade de se tornarem pessoas melhores, lendo a primeira carta de Paulo aos Coríntios. Na Igreja Católica Romana os fiéis são dispensados da leitura e do estudo da Bíblia para não escorregarem na interpretação da Bíblia e deixarem de seguir as tradições dos papas e da cúpula do Vaticano. Nas comunidades evangélicas, com exceção dos adventistas, a falta de interesse em ler e estudar as Escrituras é uma escolha pessoal que os membros fazem, o que torna a questão, mais vergonhosa.

Em 1 Coríntios 3:1-23 o apóstolo Paulo classifica os membros da Igreja que se reunia na cidade de Corinto em 6 tipos: cristãos-ouro; cristãos-prata; cristãos-pedras preciosas; cristãos-madeira; cristãos-feno e cristãos-palha. Para o inspirado escritor bíblico, os três últimos tipos constituam a geração de cidadãos completamente inúteis, cuja vida não produz nenhuma obra digna de lembrança, de elogio, de louvor, de recompensa ou de agradecimento. E Paulo atribui isto a absoluta falta de desenvolvimento mental, psicológico, emocional e intelectual por parte de alguns cristãos. São cristãos que após o primeiro passo de ingresso no Cristianismo não sairam daquilo. Entraram medíocres nas igrejas e passados tantos anos de envolvimento, continuam na mesma mediocridade, muitas vezes, piorando com o passar dos anos. Falta a coragem de se perguntar, que tipo de cristão se é, e que atitude se deve tomar para melhorar.

A principal questão é que a maioria dos que se assentam nos bancos de igreja, que entoam todos os cultos músicas que estremecem a platéia, são pessoas dotadas de total incapacidade para entender e discorrer sobre a abundância de assuntos de que a Bíblia, livro base do Cristianismo, trata. Não sabem nada de nada. Estão na mesma porcaria mental com que ingressaram, foram batizados, nas comunidades. Até suas orações são verdadeiras asneiras. 1 Pedro 3.15.

Paulo adverte, critica, apela, corrige, as comunidades para que deixem da infantilidade, busquem alimento sólido, isto é, conhecimentos mais profundos, mais desafiadores e novos. Não basta ser religiosos, ser cristão, é preciso preocupar-se com o nosso desenvolvimento, crescimento, conquistas. Não se ache sábio aos próprios olhos a ponto de não sentir necessidade de estudar, ler, comparar e crescer. Existe a falsa humildade, dos que acham maravilhoso e divino ser burro, ignorante, alienado e papagaio de passagens bíblicas que não entende, como essas famosas “caixinhas de promessas”.

Ler também: Hebreus 5.12 a 6:2.