terça-feira, 28 de outubro de 2014

Estudos Bíblico-Teológicos em Mateus 2:1-12

Introdução

Mateus é um escritor judaizante. Pertencia ao ramo palestiniano da fé cristã que se opunha aos ensinamentos do apóstolo Paulo e estava mais ou menos alinhado com os ensinamentos do apóstolo Tiago.


Nascimento de Jesus e as relações inter-religiosas
1. O evangelista considerou importante que líderes de religiões orientais, não judaicas, não cristãs tivessem vindo adorar, prestar respeito e admiração a um líder de uma facção judaica, fundador de outro segmento religioso.
Isso soa estranho e por isso o assunto não está abordado com profundidade em nossas faculdades e púlpitos. É um relato que coloca o fundamentalismo de cabeça para baixo, pois afinal, a adoração a Deus e a Sua mensagem não são propriedades de determinados grupos denominacionais. Alguns passos foram dados mas encontram dificuldades ante o pedantismo teológico, ao registro pessoal de posse da verdade, por grupos, mas as igrejas cristãs, já conseguem, vagarmente, conversar entre si, nas associações de ministros cristãos. Nosso problema maior continuará no diálogo entre religiões cristãs e não cristãs.
Estaríamos diante do quadro da missão universalista de Jesus Cristo. Que bem pode assumir formas de revelação diferentes das nossas em outras culturas. Vale aqui um retorno ao pensamento de Russell Norman Champlin. Ou estaria Mateus querendo nos transmitir uma idéia de superioridade da cultura e da teologia judaica em relação às de outros povos e cultura?

2. Herodes a realeza de aparência
Herodes se apavorou ao ouvir a denominação de "Rei dos judeus" pelos magos e pelo povo simples da Judéia. Ele se considerava rei.
Seu título era uma gentileza concedida pelo Imperador Romano. Na prática, Herodes não era rei, mas vassalo de Roma. Era um judeu que vendera sua nacionalidade em troca de vantagens políticas, na linguagem moderna, um entreguista. Os nossos pastores poderiam proceder uma investigação histórica desse personagem para transmitir aos seus ouvintes as características de sua personalidade e trazê-las para o terreno da nossa prática de cidadania em nosso país.
A) Perfil de Herodes na perspectiva muçulmana:
1. Gostava de ser chamado "o Grande";
2. Reinou durante 33 anos;
3. Homem cruel e presunçoso;
4. Dava pouca ou nenhuma importância a fé dos judeus;
5. Tinha um ciúme enorme de Salomão que chegou a "reconstruir um templo em Jerusalém" e deu o nome de "Templo de Salomão"; qualquer semelhança é mera coincidência.
6. Tinha mania de perseguição; Mandou assassinar o próprio filho por ciúme do amor que o povo lhe tinha; Mandou matar a própria esposa suspeitando de traição.
(http://www.rmesquita.com.br/herodes.htm)

7. O historiador Josefo registra sua morte - "“uma coceira intolerável em toda a pele, contínuas dores nos intestinos, tumores nos pés, como na hidropisia, inflamação do abdômen e gangrena nos órgãos genitais, resultando em vermes, além de asma, com grande dificuldade de respiração, e convulsões em todos os membros”. (“A guerra dos judeus”, I, 656, XXXIII, 5)." - http://cienciaconfirmaigreja.blogspot.com.br/2008/12/enquanto-os-santos-inocentes-reinam-no.html.

3. Religião na hora do apuro
Herodes dava a mínima para as religiões, nem para a sua que seria natural, o judaísmo. Mas nesta hora de crise, perigo de perder o poder, valeria escutar lideranças religiosas e converter seus ensinamentos a seu favor.
Em nossos dias as coisas não são diferentes. Nem precisam os políticos chamar os nossos modernos pastores, que se auto intitularam assim, estes próprios vão procura-los e oferecer seus serviços teológicos para as classes políticas, especialmente, aquelas que vivem da exploração da miséria alheia.

4. A importância dos sonhos para o nosso desenvolvimento espiritual
Os fundamentalistas em nome da suficiência das Escrituras em matéria de fé, desprezam totalmente os sonhos como uma das formas de que as forças superiores se comuniquem com a nossa alma. Creem eles que o encerramento do Canon Sagrado deu-se com a conclusão do livro do Apocalipse e que Deus encerrou qualquer outra forma de revelação.
Os pentecostais deram importância exagerada aos sonhos e transformaram seus individuais em motivo para fundação de centenas de novas denominações, atacando-se umas às outras.

Qual o lugar dos sonhos no equilíbrio da nossa personalidade? Que dizem as diferentes correntes da Psicologia e do pensamento científico? Precisamos retomar esse assunto, com maturidade, aprofundamento em nossas comunidades. Os sonhos são matérias importantes e o sonho de toda a comunidade, desde que voluntariamente, devem ser debatidos para a saúde mental e intelectual dos que assistem os cultos. Transformá-los na justificativa de atitudes desordenadas e doentias de falsos pastores é a mesma coisa que desprezá-las como forma de que Deus fale conosco no cotidiano ou limitar a atuação de Deus sem Seu consentimento.







Igrejas sem sentido algum

Alguns acontecimentos sociais e políticos que afetaram as igrejas evangélicas no Brasil e que as tsornaram obsoletas, inúteis e improdutivas para a vida das pessoas. Por essas características não compensa mais frequentá-las.

1. Igrejas compostas por membros analfabetos funcionais. Os crentes são batizados cedo demais, sem compreenderem as implicações de se dizer "evangélico e membro daquela denominação". A maioria dos membros de uma igreja não sabem porque pertencem a ela e não as outras igrejas. Os membros analfabetos funcionais são membros das igrejas por tradição, vieram de pais que eram evangélicos ou seguem, fanaticamente, o que ensinam seus pastores sem qualquer reflexão crítica, questionamento ou aprofundamento. Em geral, os evangélicos falam muito na Bíblia, mas não a lêem e estudar muito menos. A Bíblia nos lares dos evangélicos é um objeto esotérico, supersticioso, que se acredita dar sorte pelo simples fato de se colocar na cabeceira da cama. Mas vejamos o que é um analfabeto funcional e como ele se aplica aos evangélicos. "Termo que se refere ao tipo de instrução em que a pessoa sabe ler e escrever mas é incapaz de interpretar o que lê e de usar a leitura e a escrita em atividades cotidianas. Ou seja, o analfabeto funcional não consegue extrair sentido das palavras nem colocar idéias no papel por meio do sistema de escrita, como acontece com quem realmente foi alfabetizado" (http://www.educabrasil.com.br/eb/dic/dicionario.asp?id=132).
As igrejas não incentivam a leitura nem possuem bibliotecas, escolas de formação básica ou institutos de estudos bíblicos com seriedade. A responsabilidade pelo caos na educação cristã e sistemática dos crentes se deve a eles próprios. Possuem os pastores que merecem. Escolhem homens e mulheres que não são devotados aos estudos, que não amam a leitura e a pesquisa. Seus pastores são homens e mulheres acomodados, sabem que mesmo jogando palavras ao vento, os membros, como ovelhas dóceis, não reclamarão.
Pensemos numa situação como a que experimentou Felipe quando viajava e encontrou o servo da Rainha de Candace. Em Atos 8.27 o diácono Felipe perguntou se o empregado da Rainha entendia o que lia. Como não entendia passou a explicar. Qual dos membros de nossas igrejas está em condições de explicar as passagens bíblicas, eles não as leram, não as estudaram. Vão dizer o que?
Algumas igrejas são essencialmente contrárias ao estudo e a leitura da Bíblia, embora tenham a façanha de se dizer cristãs. São as responsáveis pela Idade Média dos cristãos, pois embutido nessa satânica campanha, incentivam o analfabetismo em todos os níveis da vida humana. Mas estas não estão diferentes das igrejas que mantém enganosas faculdades de teologia. Nestas, as disciplinas são abordadas apenas como decoreba e encaixe de passagens bíblicas sem contexto, sem história, desconhecendo os caminhos da formação do canon sagrado, da cultura religiosa, como se num passe de mágica a Bíblia tivesse caído do céu. Ao ignorar a Bíblia na ação humana, como livro produzido, discutido, selecionado por homens e com critérios humanos, tornam a Bíblia um livro mágico e com portas abertas para todo o tipo de diversionismo teológico.
As denominações, as igrejas, pastores deveriam promover campanhas de alfabetização de adultos, incentivo de prosseguimento de escolarização dos fiéis, apoio aos estudos nos níveis de educação básica a pos-graduação. Precisamos de fé qualificada e não de burrice louvada como se fosse temor de Deus.

Pastores sem sólida formação acadêmica e literária.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Escola Bíblica: o valor do canto na comunidade cristã

Textos: Mateus 5:13-14 e Miquéias 5:23

INTRODUÇÃO:
Que tal estudar, efetuar leituras, resumir aos alunos a história da música na humanidade, inserindo a prática bíblica nesse contexto geral.
A Bíblia não fala apenas da música como atividade religiosa, mas como atividade política, cultural, no Antigo Testamento. As menções no Novo Testamento tem um caráter mais litúrgico.
A Bíblia, inserida no contexto histórico e na cultura universal associa sempre a música a dança.

MÚSICA NO ANTIGO TESTAMENTO
1. Cânticos individuais;
2. Cânticos coletivos
3. Cânticos militares
4. Cânticos religiosos
5. Cânticos populares

MÚSICA NA COMUNIDADE CRISTÃ PRIMITIVA
1. Os cânticos eram congregacionais
2. Os cânticos eram sem instrumentos musicais: estes eram associados aos sacrifícios de mártires, usados nas orgias romanas;
3. Utilizavam as melodias gregas, romanas e hebraicas: simples e austeras;

MÚSICA NO SÉCULO II - IV
1. O povo apenas respondia o "Aleluia" ou o "Amém"


MÚSICA NA ERA DA REFORMA LUTERANA - 1517
1. Canto congregacional restituído
2. Música na orientação calvinista: simples, uníssona, melodia fácil para evitar o exibicionismo;

MÚSICA NA ERA CONTEMPORÂNEA
1. Qualidade nas composições, rigor doutrinário, experiências fortes de vida: Fanny Crosby

MÚSICA EM NOSSOS DIAS
1. Liberdade nas composições: sem rigor doutrinário, sem rigor textual, sem rigor metódico na composição do rítmo;
2. Ecletismo com as músicas seculares, populares, espiritualistas;
3. Ênfase na tecnologia, nos instrumentos, no emocionalismo;
4. Sem perfeição vocal;
5. Música esotérica e satânica;


sexta-feira, 11 de julho de 2014

Esboços de sermões: o sangue de Cristo

Onde não há sangue, não há salvação
O único passaporte para o céu é o sangue do Cordeiro de Deus
Nada nos poderá proteger da ira vindoura senão o sangue de Cristo.
A importância do sangue no propósito de Deus é mostrada pelo fato de ser sancionada mais de 400 vezes em Sua Palavra.
Se alguém aceitar o sangue de Cristo pelo seu pecado, está salvo, indiscutível, absoluta, perfeita e eternamente salvo. Nada ajuda tanto a vencer o pecado, como conhecer o valor deste sangue.

O sangue de Cristo é:

1. O preço da redenção do crente

Atos 20:28 - "Ele resgatou com Seu próprio sangue"
Efésios 1:7 - "Redenção pelo Seu sangue" - Col. 1:14
1 Pedro 1:18-19 - "com o precioso sangue de Cristo"
Apocalipse 5:9 - "com o Teu sangue compraste..."


2. A base do perdão do crente

Efésios 1:7 - "Redenção pelo Seu sangue" - Col. 1:14
Hebreus 9:22 - "sem derramento de sangue, não há remissão"
Colossenses 2:13 - "perdoando-vos todas as ofensas"

3. A base da justificação do crente

Romanos 5:9 - "justificados pelo Seu sangue"
Justificação, redenção, perdão, são graças atuais.

4. A base da paz do crente

Não precisamos fazer a paz com Deus, ela está feita; nós temos apenas que aceita-la.
Colossenses 1:20 - "por Ele feito a paz pelo sangue da Sua cruz"
Romanos 5:1 - "sendo, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus"

5. A base da purificação do crente

1 João 1:7 - "nos purifica de todo o pecado"
Apocaliose 1:5 - "em Seu sangue nos lavou de nossos pecados"


6. O meio de acesso do crente a Deus

Efésios 2:13 - "pelo sangue de Cristo chegaste perto"
Hebreus 10:19 - "entrar no santuário pelo sangue de Jesus"


7. A base da fraternidade cristã

1 Coríntios 10:17 - "porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo"


Nota do Blogue: Estes estudos foram publicados pela Associação para Estudo Bíblico, fundada em 1889 e situada na 2635, Lenape Road, Philadelphia, 31, PA. USA. Estas notas recebi do Missionário C. Daniel Holden, missionário batista, fundador da Primeira Igreja Batista Regular de Ponta Grossa - PR.


terça-feira, 8 de julho de 2014

Apontamentos de História para pastores e obreiros: século VII

Papas missionários - Gregório, o Grande
Se impressionou ao ver crianças inglesas colocadas à venda no mercado de escravos. "Anglos não, são anjos, tivessem conhecido eles o Evangelho" (H G Wells - História Universal, Vol. 4:1004-1005.

Cristianismo sem Cristo
"O Cristianismo oficial desde muito enterrara e esquecera aqueles estranhos ensinamentos de Jesus de Nazaré de que se havia originado. A Igreja Romana, agarrando-se tenazmente à posse do título de pontifex maximus, abandonara de longa data a missão a que se propusera de realizar o Reino do Céu. Só se preocupava agora com a restauração da supremacia romana sobre a terra, supremacia que considerava com sua herança. Tornara-se uma corporação política a utilizar a fé e as necessidades dos homens simples para a realização dos seus planos e cálculos. Apegou-se à tradição do Império Romano e a idéia de que aí estava o método natural da unidade europeia. E, numa série de tentativas para restaurá-la, a Europa afundou-se numa fatigante e obscura fase de imitação e repetição dos planos errôneos e falhos do passado..." (História Universal, Vol. 4:1012-1013).

Restaurar o Império Romano - um plano religioso

"A idéia do império redivivo só muito gradualmente alvoreceu no espírito de Carlos Magno..."
(História Universal, Vol. 4:1014)

sábado, 29 de março de 2014

Estudos no Êxodo: estrangeiros no Egito 1:1-14

São estes, pois, os nomes dos filhos de Israel que entraram com Jacó no Egito, cada um com a sua respectiva família: ||Português: Nova Versão Internacional||Êxodo||1||1
 2 Rúben, Simeão, Levi e Judá; ||Português: Nova Versão Internacional||Êxodo||1||2
 3 Issacar, Zebulom e Benja­mim; ||Português: Nova Versão Internacional||Êxodo||1||3
 4 Dã, Naftali, Gade e Aser. ||Português: Nova Versão Internacional||Êxodo||1||4
 5 Ao todo, os descendentes de Jacó eram setenta[1]; José, po­rém, já estava no Egito.
[1] Os manuscritos do mar Morto e a Septuaginta dizem setenta e cinco. Veja Gn 46.27 e At 7.14.
||Português: Nova Versão Internacional||Êxodo||1||5
 6 Ora, morreram José, todos os seus irmãos e toda aquela geração. ||Português: Nova Versão Internacional||Êxodo||1||6
 7 Os israelitas, po­rém, eram férteis, proliferaram, tornaram-se numerosos e fortaleceram-se muito, tanto que encheram o país. ||Português: Nova Versão Internacional||Êxodo||1||7
 8 Então subiu ao trono do Egito um novo rei, que nada sabia sobre José. ||Português: Nova Versão Internacional||Êxodo||1||8
 9 Disse ele ao seu povo: Vejam! O povo israelita é agora numero­so e mais forte que nós. ||Português: Nova Versão Internacional||Êxodo||1||9
 10 Temos que agir com astúcia, para que não se tornem ainda mais numerosos e, no caso de guerra, aliem-se aos nossos inimigos, lutem contra nós e fujam do país. ||Português: Nova Versão Internacional||Êxodo||1||10
 11 Estabeleceram, pois, sobre eles chefes de trabalhos forçados, para os oprimir com tare­fas pesadas. E assim os israelitas construíram para o faraó as cidades-celeiros de Pitom e Ramessés. ||Português: Nova Versão Internacional||Êxodo||1||11
 12 Todavia, quanto mais eram oprimi­dos, mais numerosos se tornavam e mais se espalhavam. Por isso os egípcios passaram a temer os israelitas, ||Português: Nova Versão Internacional||Êxodo||1||12
 13 e os sujeitaram a cruel escravidão. ||Português: Nova Versão Internacional||Êxodo||1||13
 14 Tornaram-lhes a vida amarga, impondo-lhes a árdua tarefa de preparar o barro e fazer tijolos, e executar todo tipo de trabalho agrícola; em tudo os egípcios os sujeitavam a cruel escravidão. ||Português: Nova Versão Internacional||Êxodo||1||14
 15 O rei do Egito ordenou às parteiras dos hebreus, que se chamavam Sifrá e Puá: ||Português: Nova Versão Internacional||Êxodo||1||15
 16 “Quan­do vocês ajudarem as hebréias a dar à luz, verifiquem se é menino[2]. Se for, matem-no; se for menina, deixem-na viver”.
[2] Hebraico: as duas pedras. Possível eufemismo para os órgãos genitais ou ainda uma referência a um assento onde as mulheres davam à luz.
||Português: Nova Versão Internacional||Êxodo||1||16
 17 Todavia, as parteiras temeram a Deus e não obedeceram às ordens do rei do Egito; deixaram viver os meni­nos. ||Português: Nova Versão Internacional||Êxodo||1||17
 18 En­tão o rei do Egito convocou as partei­ras e lhes perguntou: “Por que vocês fizeram isso? Por que deixaram viver os meninos?” ||Português: Nova Versão Internacional||Êxodo||1||18
 19 Responderam as parteiras ao faraó: “As mulheres hebréias não são como as egípcias. São cheias de vigor e dão à luz antes de chegarem as parteiras”. ||Português: Nova Versão Internacional||Êxodo||1||19
 20 Deus foi bondoso com as parteiras; e o povo ia se tornando ainda mais numeroso, cada vez mais forte. ||Português: Nova Versão Internacional||Êxodo||1||20
 21 Visto que as parteiras temeram a Deus, ele concedeu-lhes que tivessem suas próprias famílias. ||Português: Nova Versão Internacional||Êxodo||1||21
 22 Por isso o faraó ordenou a todo o seu povo: “Lancem ao Nilo todo menino recém-nascido[3], mas deixem viver as meninas”.

http://www.bibliaonline.net/biblia/?livro=2&versao=17&lang=pt-BR&cab=

1. Qual é a sua identidade? 1:1

Nos tempos bíblicos do Antigo Testamento era costume trocar o nome de uma pessoa toda a vez que ela experimentava uma situação transformadora em sua vida.
Jacob tivera seu nome mudado para Israel. Duas identidades. O velho e o novo homem. Quem está em Cristo Jesus nova criatura é. Qual perfil seu fala mais alto em sua vida? A carne ou o espírito?

2. Você já prestou atenção na numerologia bíblica? 1:2 - Eram "setenta almas". Múltipo de 7 e de 10.

3. Na história Deus pode ter um santo no mundo. José tinha ficado no Egito. Quais são os propósitos de Deus para sua vida para o lugar onde você está? Romanos 8.32-39. Romanos 12:1-2;
- O Egito é o mundo secular. Ser cristão numa comunidade é uma coisa, num seminário, mas na vida comum entre os demais mortais e pecadores é o desafio.
- O Egito é a política - qual o papel de um homem que teme a Deus no exercício dos poderes temporais
- O Egito é a fase das provações, dos sofrimentos, a escravidão, dos vícios, das pressões.

4. Estejamos preparados para surpresas que a vida nos apresente, sempre com temor de Deus. 1:8
O importante é estar unido em número e pensamento. Quanto mais gente mais vitória poderemos ter.
Deus não nos permite descansar no conformismo, nos apresenta novos desafios para vencermos.

5. Quando estamos vivendo no temor e na vontade de Deus, até aquilo que armam em segredo contra nós, é transformado em bênção. 1:11-14.

6. Encarar o sofrimento e lutar pela sua superação. Os hebreus mantiveram sua fé em Deus, fizeram o duro trabalho que lhes fora imposto, mas não deixaram de AGIR para vencer.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Apagadas da história: leitura acadêmica da eclesio-história

A revista Unespciência, número 5/48, traz reportagem de Maria Fernanda Ziegler a respeito da liderança feminina no processo histórico do Cristianismo e das igrejas cristãs. Comportando informações, provocando a reação dos teólogos, o material deve sim, constar, das recomendações bibliográficas dos institutos, seminários e faculdades teológicas. A repórter apresenta ao público o trabalho de Eliezer Serra Braga, doutorando em História, na UNESP. O relevante da matéria é a garimpagem que a autora fez em autores, intérpretes catando citações e referências, em obras, no geral, distantes e de difícil acesso do estudante comum de teologia e história.
Alguns pontos altos da reportagem ficam diante do de se reconhecer que o Cristianismo nunca foi um movimento único, uníssino e que o tão propalado discurso da "igreja uma" jamais existiu. Os historiadores honestos sabem disso e nunca será tarde lembrar. As pesquisas mencionadas por Maria Fernanda somam-se a este esforço e por isso devem ser lidas e divulgadas. O Cristianismo sempre foi um conglomerado de "seitas" e "heresias" ou escolas de pensamento como gostamos de afirmar.
Em determinada altura a matéria referencia o óbvio, como se fosse inédito. A inexistência de liderança feminina desde os primórdios dos Atos dos Apóstolos, por exemplo. O Cristianismo nasceu sem a necessidade e importância da liderança feminina. Nem poderia ser diferente. Nascia o novo rebento do judaísmo calcado em valores judaicos e greco-romanos. Embora o tema causasse certo incômodo nos fundadores da nova religião, como se deixa entender a confusa teoria que Paulo de Tarso tenta elaborar sobre a mulher (Gálatas 3:28 em geral diferindo do que ele diz em Efésios 5 e 1 Coríntios 11). As autoras constatam e nisso não há novidade que o conceito de igualdade é contemporâneo, por isso, quem sabe, faltou cuidado em alcunhar o período histórico do Cristianismo, antes da contemporaneidade de machista. Evidentemente, os estudiosos da Bíblia sabem que, por volta do ano 33 d.C. haviam sim, diaconisas nas igrejas locais e isto são evidentes pelas passagens do livro de Atos e a Epístola aos Romanos.
Quais problemas teológicos-históricos a reportagem apresenta e torna seus autores e citados em dívida com os leitores da revista? Primeiramente, o conceito "Igreja" singular. Em geral um vício que mesmo acadêmicos insistem trilhar, porque, desconhecedores de questões de teologia, forçam uma visão de que, o Cristianismo e Igreja Católica Romana se confundem. Na verdade, a Igreja Católica é uma instituição que representa um desvio de rota, um desenvolvimento posterior no Cristianismo. Se podemos utilizar o termo "Igreja", diríamos que a Igreja Cristã não nasceu católica, mas esse ramo se tornou hegemônico, dada a aliança com o poder secular. O catolicismo triunfou depois do ano 325 d.C. Para o historiador Walker, o cristianismo nos primórdios era um conjunto de comunidades locais, autônomas e independentes, unidas apenas pela mesma fé. A centralidade, autoridade única, nunca foi unânime nas comunidades cristãs, razão porque as dissidentes foram perseguidas cruelmente, logo que a comunidade de Roma se desviou da ortodoxia e associou-se ao Império secular
Os escritos do Novo Testamento são fontes seguras da história do pensamento e prática dos cristãos. Enquanto menciona a existência de diaconisas, não registra nenhuma mulher exercendo o bispado, até porque a própria função de bispo, no período apostólico nada tem a ver com as funções atribuídas aos religiosos que constatamos atualmente. As lutas e as idéias de Agostinho de Hipona não são, registro fiel do período de fundação do cristianismo e nem correspondem ao geral das igrejas cristãs que existiam na fase. Portanto, as formulações do Professor Paulo Nogueira são pertinentes. O papel da mulher nos primeiros cem anos do Cristianismo é o que Paulo determina em 1 Coríntios 11 e 14 e 1 Timóteo 2. Nada além.
Outra questão que soa estranho é o esforço que a matéria tem em constituir algumas mulheres do relato bíblico em líderes cristãs de autoridade em matéria de fé, caso mencionado de Maria Madalena. Para sustentar essa posição as autoras recorrem a outra formulação teológica equivocada, a de que, a Pedro foi confiada a organização do cristianismo. Basta-nos boa leitura dos Atos 10:38-46, Gálatas 1 e 2; Efésios 3 para entendermos que a liderança fundacional do Cristianismo coube a Paulo e não a Pedro. O último representou um esforço de continuar o judaísmo dentro do Cristianismo. Portanto, o desenvolvimento organizacional, téorico da seita dos cristãos se constituiu nos marcos do  "machismo".
Mas a matéria faz uma afirmação ousada, a de que o leitor da Biblia precisa de genialidade, de entender o idioma grego, para não cair em "deslizes machistas" dos tradutores. Um dado que permanece sem qualquer prova ou sinal de onde, num exemplo citado para ilustrar a novidade, isso tenha ocorrido.
http://www.unesp.br/aci_ses/revista_unespciencia/acervo/48/mulheres-cristianismo